16 de setembro de 2024

CUIDADO! frágil

By In Petalhada

texto Lucas Soares
publicado 16.09.2024
rediagramação Lucas Soares

Contém mundos e seres próprios. 

É uma imensidão que traz vida e dela emerge.   

Somente um pequeno grão perante todas as outras galáxias.  

Tantas características, tantas cores, quantos dons? 

Respirar, construir, registrar, hidratar. 

Mas por que dói?   

?

Por que tem momentos em que quero chorar e não há nuvens para atuar? 

Por que tem momentos em que não quero chorar e as gotas saem amargas como ácido? 

Por quê? Por quê? 

?

Por que pesa em toda a medida, em cada milímetro qualquer? 

Por que o metal que compartilha desse peso não para de aparecer? Ele já está nas redes sanguíneas do meu ser. 

Por quê? Por quê? 

?

Por que o sedento do Sol, com sua maldade, não para de emanar estresse? 

Por que não me movo? Não há mudança? 

Por quê? Por quê? 

?

Por que quando disponibilizo a fartura, a minha paixão, vocês a destroem? A terra só se adianta a ficar mais seca, mais sedenta. 

Por que bombardeiam meu corpo com toxinas, agrotóxicos? Não têm pena da minha sanidade e das minhas amizades? 

Por quê? Por quê? 

?

Por que dói? 

Por que tanto ódio? 

Isso não é só um pouquinho do ataque ao meio ambiente, mas de um corpo que grita por um socorro urgente. 

Por favor, nos ajudem. 

?

Uma das últimas poesias antes de vir a Universidade, meio que sempre utilizei como uma forma de vomitar o que percebo “visionariamente”, mas que guardo, apesar de angustiar profundamente. 

Tirei a armadura apática sobre minha vida, item que sempre me fortaleceu na tomada de decisões. No fim, desprezar a você mesmo normalmente é uma das primeiras escolhas sobre os desafios. #Morte as emoções! 

Me vesti de vulnerabilidade escrevendo o que sentia, e para tirar onda, aparentando ser menos humano, assimilei com o planeta Terra. Casa mais bem destruída que já vi.  

Inicio o texto destacando nossa insignificância, mas beleza em viver com tanta riqueza. Em seguida descrevo minha limitação em chorar, prática muito boa, que recomendo. Mas parece que só acontece em momentos errados, como as chuvas ácidas, que atormentam algumas cidades. 

Logo depois, as “redes sanguíneas” são os rios do planeta, com o metal sendo o mercúrio da garimpagem. Também comparo meu lado mais apaixonado à fartura do planeta, que se mal cuidados, resultam em uma terra pobre. Já o uso de toxinas, se trata também de relacionamentos tóxicos em minha vida, que normalmente causam alguns estragos.

O estresse do Sol é uma referência a um versículo bíblico, Efésios 4:26, “Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo”. Segundo o que entendi, os seres humanos não devem pôr sua ira diante do Sol, pois apesar de nervosos, não devem expor ao mundo, consequentemente pecando. A ironia está na ocorrência do contrário, o Sol colocando sua suposta “ira” em nós, causando mais calor.

O texto começa e finda com a palavra “dor”, e ao decorrer dele sempre tem perguntas, que mais do quê respostas, são resolvidas com ações. Cuidar do planeta não é “mi,mi,mi”, muito menos cuidar do corpo, em especial daquilo que não se vê: a saúde mental.  

Que possamos priorizar o que sempre nos priorizou. O mundo ainda não morreu e nem você, mas até quando os dois estarão nessa circunstância? Sugiro perguntar mais e reclamar menos. 

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