Texto por Arthur Stering
Publicado em 30.07.2026
Oi, gente! Espero que estejam bem. Venho novamente no espaço disposto pelo Petalhada lhes trazer sugestões de músicas e discos de artistas que gosto para vocês conhecerem, se é que já não conhecem. Desta vez, mais modesto que a lista passada, trago singelos 10 títulos que gostei bastante e vieram ao mundo neste nosso ano de 2026 até o início de julho, mais ou menos.
Aos queridos amigos, colegas e conhecidos que já sabem um pouco mais sobre o meu gosto, antevejo possíveis comentários do tipo: “Como assim você tá indicando álbuns de 2026 e não falou do Drake? Tá com vergonha?” Não, amiguinho. Qual é o propósito de eu me dispor a fazer uma curadoria e vir aqui dizer “Conheçam os novos discos do Drake! O novo do Harry Styles! Do Gorillaz! Do J. Cole!” Por favor, né? Por mais que eu esteja falando de lançamentos do mainstream em sua grande maioria, vamos tentar ser um pouco menos óbvios. Ok?
Sem mais delongas, aqui vai:

James Blake – Trying Times (Trying Times)
Esse é, facilmente, o melhor disco já feito em muito tempo pelo britânico, que divide bem os ofícios de produtor/experimentador e cantor. A faixa-título é uma das melhores músicas lançadas em 2026, e arrisco dizer que se mantém no posto até o fim do ano. Grande acerto.

Maisie Peters – You You You (Florescence)
Aqui fica minha indicação especial para as garotas brancas. Talvez seja um prato cheio para as swifties de plantão. Brincadeiras à parte, é um baita disco, com muita gente grande envolvida — Marcus Mumford, Mikky Ekko e muitos outros — e que mistura bem o folk com uma pegada mais pop, trazendo canções muito agradáveis que merecem a sua atenção.

RANCORE – A NASCENTE (BRIO)
A Balaclava dificilmente pode decepcionar em um lançamento com o elenco que tem, ainda mais trazendo uma gigante de peso para se juntar a eles. Teco Martins e sua turma retornam em um disco muito potente e maduro, com riffs nada óbvios, uma entrega vocal totalmente visceral e letras muito peculiares.

LPT Zlatan – Bebeto e Romário (Meu Dinheiro, Minhas Regras)
Um dos mais originais rimadores da geração atual, Zlatan se consolida de vez na cena do hip-hop paulista com uma mixtape muito bem construída. Em meio a uma produção que bebe muito da mesma fonte que o UK rap, o artista agrega à sua estética musical um dialeto muito singular das periferias de São Paulo, mas sem perder a eloquência. Isso torna a música dele, de fato, autêntica — o que acaba sendo raro em um meio onde muitos artistas acabam apenas “emulando” a estética européia/estadounidense.

Jill Scott – The Math (To Whom It May Concern)
A veterana do neo-soul/R&B retorna depois de 11 anos com um disco quase impecável, como tudo que costuma criar. Nele, é perceptível o cuidado que a artista teve em observar o que vinha sendo feito desde seu penúltimo projeto de estúdio até os dias de hoje. Assim, presenteou o mundo com um disco perfeitamente executado, mas pouco previsível, a exemplo de algumas das participações nele presentes, como os rappers Ab-Soul e Tierra Whack.

Luiz Lins – Olho por Olho [part. Mestrinho] (Os Canalhas Também Envelhecem)
Uma das grandes surpresas do ano, que devo agradecer a meu amigo Tazin por ter me indicado. Conhecido como um dos artistas mais subestimados dos últimos tempos desde que surgiu para o grande público, em 2017 no projeto Poesia Acústica, aqui o artista se reinventa. Em Os Canalhas Também Envelhecem, Luiz Lins mistura muito do que já demonstrou saber fazer nas bases de rap e R&B com gêneros que fazem parte do cotidiano de onde ele vem, como forró, brega e bolero.

Tangolo Mangos – AÇAFRÃO (PEDAGIOS Y CARONAS)
Finalmente puxando a sardinha para nossa terra, chegou a hora de falar sobre uma das bandas mais promissoras do país. Depois de lançar seu segundo e melhor disco, mais maduro e coeso, os Mangos se consolidam de fato como uma banda de rock independente que faz um som verdadeiramente único, rompendo com o estereótipo de indie rock genérico que muitas bandas do cenário atendem (e eu também adoro).

Concrete Boys – MILLIONAIRE (It’s Us Vol. 2)
A tropa do Lil Boat agrega a linguagem do rap ao contexto que condiz com a sua época, mas sem perder a essência do hip-hop. Desde aspectos musicais, como o estilo das batidas e o jeito de rimar, até a forma como eles se portam e se vestem, a molecada representa o movimento muito bem e mantém uma chama que luta para continuar viva.

American Football – No Feeling [part. Brendan Yates] (LP4)
Uma banda com quase 30 anos de história que continua dando voz aos incompreendidos. Em um disco reflexivo, contemplativo e muito denso nas temáticas abordadas, eles mantêm o legado que o emo deixou na juventude, mas mostram que os adolescentes depressivos também conseguem envelhecer (e sobreviver).

Bruno Berle – Manhã (Sem Fronteiras)
Para fechar, um dos discos mais lindos do ano. Natural de Alagoas, Bruno Berle sempre demonstrou habilidade para integrar o complexo e o simples. Sem Fronteiras é um daqueles discos tão gostosos de ouvir que soa como um abraço apertado e confortável que você quer que nunca acabe.
Então é isso! Agradeço a quem chegou até aqui, espero que gostem dos títulos e, como eu sempre digo: continuem compartilhando música boa!
